domingo, 18 de setembro de 2011

Partes de mim #1

Algo que pensamos ser impossível quando somos crianças é perder um amigo, eu tive essa experiência.
Andava no 5ºano e conhecia o Rui à relativamente pouco tempo, era mais velho, andava no 6ºano e eu tinha uma paixonite por ele.
O Rui era alto, magrito, loirinho e com uns olhos verdes lindos! Acho que me encantei por aqueles olhos verdes.
Nós eramos como o gato e o rato, tão depressa andávamos aos abraços como andávamos às turras.
Eu, eu morria de ciumes sempre que o via agarrado a outra miúda!
Na véspera de ele morrer, lembro-me que ele não me largou o dia todo...quando acabou a escola veio a correr atrás de mim a pedir-me um beijinho, eu muito difícil não dei e ele foi embora triste.
Eu estava contente, afinal ele tinha vindo atrás de mim!!! Estava ansiosa pelo dia seguinte, será que ele ia admitir finalmente que gostava de mim?!
Tudo isto se passava na minha cabeça, que inocência...
O dia seguinte chegou e fui para a escola expectante. Assim que cheguei procurei imediatamente o Rui...não o vi...vi sim muita gente a chorar, alunos, professores, auxiliares...vi logo que algo de grave se passara mas longe de mim que seria com o Rui.
As minhas colegas vieram ter comigo e deram-me a trágica noticia... o Rui tinha morrido.
Não quis acreditar...não podia ser...ainda ontem ele estava aqui...como pode uma criança entender uma morte?
Desde sempre os putos tiveram ideias infelizes... o Rui andava à pendura no comboio...naquele dia correu mal.
Não fui às aulas, não consegui. 
Quando cheguei a casa contei aos meus pais e fechei-me no quarto a ouvir "Since i don´t have you" dos Guns N´ Roses... chorei...chorei muito, não conseguia entender.
Não fui capaz de ir ao velório nem ao funeral, todos me diziam coisas horríveis.
Na escola chorou-se por longas semanas, nos intervalos dedicavam-lhe sempre a musica "Runaway train" dos Soul Asylum.
Aquilo marcou-me para sempre, sempre que oiço uma destas musicas é automático, a lembrança vem.
Aquele dia 18 de Janeiro de 1994 está cá gravado, lembro-me sempre do loirinho dos olhos verdes.

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